O processo criminal tratará sobre falso testemunho contra à
repórter Patricia Campos Mello, do jornal Folha de S.Paulo, cometido na
última reunião do colegiado, na terça-feira (11). O depoente negou ter
disponibilizado informações sobre o processo trabalhista que moveu contra a
empresa para jornais, e citou a repórter Patricia Mello, autora de uma matéria
sobre o caso. Segundo River, ela obteve documentos e fotos anexados ao processo
por conta própria.
Pouco depois dessas declarações, a jornalista publicou nas
redes sociais contestando o depoimento de River e antecipando que tornaria
públicos os contatos entre eles. À noite, a Folha de S.Paulo divulgou
documentos, fotos, áudios e mensagens de texto enviados por River à repórter na
época, contradizendo o depoente.
O senador Humberto Costa (PT-PE) declarou que a bancada do
PT está disposta a iniciar um processo criminal de averiguação contra River.
Ele disse que no momento adequado o depoente deve retornar ao Congresso quando
tiver comprovação ou não das informações que ele apresentou à CPI das Fake
News.
— Queremos que haja processo de investigação, processo
criminal contra ele, que aqui agrediu a reputação de pessoas que sequer aqui
estavam para se defender— afirmou.
O deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) afirmou que a comissão
não pode admitir esse tipo de agressão verbal que a jornalista sofreu. Ele
espera que a CPI tome as mediadas legais. Para ele o depoente atacou uma mulher
e foi amparado pelo governo, que ele julga despreparado.
— Além do insulto e do ataque à jornalista, mentir na CPMI é
crime. E ele sabe disso? Fica essa pergunta. Foi repugnante, foi nojento o
ataque à jornalista. Mostra como querem tirar o foco de coisas importantes —
declarou o deputado.
Solidariedade
A deputada Lídice da Mata declarou que, independente das
ações que a CPI venha a tomar, cada parlamentar pode individualmente dispor
suas decisões.
— Depois do depoimento, houve manifestação da jornalista
atacada que contestou ponto a ponto as declarações do depoente, o que constitui
no mínimo uma possibilidade de testemunho falso — disse Lídice.
Para o deputado Rui Falcão (PT-SP), Hans River deve ser
indiciado no relatório final da CPI das Fake News, pois é crime uma testemunha mentir.
Ele declarou ainda que já subscreveu uma representação à Procuradoria-Geral
contra o depoente.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cobrou
punição ao ex-funcionário da empresa de marketing digital Yacows. Por meio das
redes sociais, Rodrigo Maia afirmou que River deve ser punido no rigor da lei
por ter mentido à comissão parlamentar de inquérito e feito declarações de
cunho sexista.
— Dar falso testemunho numa comissão do Congresso é crime.
Atacar a imprensa com acusações falsas de caráter sexual é baixaria com
características de difamação. Falso testemunho, difamação e sexismo têm de ser
punidos no rigor da lei — disse o presidente.
O presidente do colegiado, senador Angelo Coronel (PSD-BA),
disse que a jornalista será convidada para dar seu depoimento na próxima
semana, como possibilidade de contestar as declarações de Hans River.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato
dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) manifestaram, em
nota, solidariedade à jornalista Patrícia Campos Mello que foi alvo de ataques
nas redes sociais após repercussão das declarações falsas contra à jornalista
por parte do depoente, Hans River.
De Maria Helena, sob supervisão de Guilherme da Silva e Paola Lima
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da
Agência Senado)
Fonte: Agência Senado

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